Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Neruda

Queria escrever coisas bonitas como o Neruda. Nada que me inspire! Começo, rascunho, acho que tá bom, acho que tá ruim, apago. E assim sigo, simplesmente caminhado, tropeçando, quase caindo, caindo, levantando ... pra cair novamente. E sigo, sigo, simplesmente caminhando. Por vezes corro, e logo não vejo sentido em nada, volto a caminhar. Tento apagar e fazer da vida um rascunho, onde posso apagar a cada momento ...e recomeçar. Mas nunca dá certo. Tudo fica ali, como em marca d’água ... leve, suave, mas profundo. E sigo, sigo caminhando, correndo e quando corro me esbarro ... em qualquer coisa que revela outras milhares de coisas e volto a andar. O meu peito se enche de saudade quando escuto Pet Shop Boys, arrepios, calafrios, tropeço novamente. Uma mão me ajuda a levantar. Apaixono-me perdidamente! Amores, “amoras”, cheiros, paixões. Volto a correr! Quero tudo, quero agora, quero amar infinitamente, apaixonar-me loucamente, beijar profundamente. Volto a andar! E sigo!

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

soi

Nem tudo está tão claro como naqueles dias em que você acorda e o céu está colorido com aquele tom azul único. Aquarela de cores (...) de sentimentos (...) de paixões (...) de sonhos (...) de dúvidas (...) de frustrações (...) Horas sem cor, horas com tom preto. De todas as cores, sabores e amores.

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

shuashua

Flashs (...)
Terá sido um sonho? Se é que existe certeza, estou certa que não a tenho. Encontros e desencontros (...) terá sido a hora errada? Atrasos ou avanços? Fragmentos de um tempo que não existiu. Mas como poderiam fixar-se dessa forma, se não fossem reais. Apegos e desapegos (...). Sinto asco muitas vezes dessa fluidez. A âncora que outrora me dera segurança, onde está? Sigo rumo ao horizonte que decido naquele momento, no exato momento em que sinto saudade de mim e tento me resgatar em ex-periências. Saudades tuas e minhas!

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Zebra (...)

Por que a Amy é tão boa? Por que ela bebe e fuma tanto? Por que será que ela deve morrer logo? Bom, essa última é uma conclusão quase que cartesiana. Enfim, talvez essas não sejam as perguntas certas, e perguntas erradas geram respostas ainda mais falaciosas. E quais seriam as certas? (...)
Vive-se e acredita-se que escolhemos todos os caminhos, embora por vezes, ouve-se que as circunstâncias não deixaram outra possibilidade. Sempre deixa! Seguinte, existem pessoas que precisam ir, e pra essas, deixem que vá. Outras que nunca vão, embora vivam ameaçando. E outras que mandam pra casa do “carai” todas as formas possíveis e se satisfazem e ponto. As piores? As do meio. Certeza! Tem coisa pior do que viver em cima do muro: sem saber se é Flamengo ou Vasco; se bebe cerveja ou wisky; se come kani ou lânguiça ?? É foda! Não somente pra quem vive, nas esquinas da vida, encontrando e se iludindo com pessoas “zebra”, mas pra elas, certeza, é ainda pior. Rehab! A palavra certa! Ainda na condicional, deixando de ser zebra (...)

Sábado, 31 de Maio de 2008

Redenção



Em POA agora faz 18 graus ........ meu não-lugar!

Vai menina, nem que tu depois veja que aqui, e não lá, é seu lugar.

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Pai

Contradições são muitas. Há quem diga que a vida é feita delas. E felizes são aqueles que transitam plenamente entre todas, sabendo-se um pouco de cada a cada instante, ou tudo ao mesmo tempo. Uma leve dor na fronte, proveniente de um cansaço físico e mental, que logo vai passar. Penso no meu pai, e hoje posso dizer com toda a certeza do mundo, que de todas as questões existenciais mais profundas, não há nada que me deixe mais triste e incapaz do que acompanhar o envelhecimento do meu pai. Tenho até pensado que as minhas poucas e curtas idas em sua casa são geradas a partir da minha incapacidade de lidar com as questões inerentes à velhice “do meu pai”. É a minha linha de fuga. Já não sou eu quem conta sobre a vida, os problemas, as paixões (....), é ele agora quem tem o lugar principal. Aqui os papéis se inverteram. Ao mesmo tempo, sinto-me feliz, pois o tenho e sei que ele tem a mim. Seu beijo hoje é muito mais gostoso, seu abraço é muito mais caloroso e acolhedor e suas manias, deixaram de ser irritantes e passaram a ser engraçadas ..... inclusive, quando ele quer se desfazer de tudo. Hoje mesmo, quase que saio de casa com milhares de volumes da Enciclopédia Barsa, que ele defende com tanto fervor que é um material fantástico para que eu estude alguma coisa pro mestrado. Quando vou embora, ele diz tão docemente ..... “que Deus lhe abençoe” ...... e manda com aquele tom de “pai” ...... “feche o vidro, filha”.

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Como uma luva

O Andaime – Fernando Pessoa

O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado.

Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão.

A esperança que pouco alcança!

Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobe mais que a minha esperança.
Rola mais que o meu desejo.

Ondas do rio, tão leves
Que não sois onda sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam – verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.

Gastei tudo que não tinha. Sou mais velho do que sou.
A ilusão que me mantinha,
Só no palco era Rainha:
Despiu-se e o reino acabou.

Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!

Que fiz de mim?
Encontrei-me, quando estava já perdido,
Impaciente deixe-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.

Sem morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só as lembranças,
Mas as mortas esperanças –
Mortas porque hão de morrer.

Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser – muro
Do meu deserto jardim.

Ondas passadas, levai-me
Para o olvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.